Faltam talentos para as organizações empresariais?

A busca por talentos é cada vez mais intensa e vários fatores contribuem para isso. Em primeiro lugar, com as novas tecnologias 5G, manufatura 4.0 e demais inovações tecnológicas, a procura por profissionais com conhecimento de tecnologia de software e hardware tem sido ativa nos últimos tempos, atravessando os países e hemisférios.

Muitos talentos das áreas de tecnologia no Brasil têm se mudado para outros países, levando suas famílias para locais mais desenvolvidos, pois consideram várias dimensões antes de tomar tal decisão:  moeda e ambiente econômico estável;  segurança física para viver;  oportunidades de estudo para os jovens; boas escolas a custo baixo ou sem custo para as crianças; possibilidade de compra de casa própria com financiamento em moeda estável; ecossistema de organizações, indústrias, start ups e outras situações que, não só podem gerar empregos, mas também caminhos para empreender num ambiente mais seguro; além de políticas governamentais que apoiam não só a oportunidade de fazer o movimento de mudança dos jovens ou famílias, mas também serem residentes oficiais no país de escolha.

Entretanto, com a pandemia e as dificuldades econômicas de muitos países, inclusive no Brasil, sair do país passou a ser uma realidade para muitos, independentemente do setor de atuação. Em compensação em países como Canada, onde durante oito meses do ano faz muito frio, o caminho inverso de atração de talentos não para, pois demandam mão de obra qualificada durante o ano todo, para seguir com seu crescimento econômico.

Um artigo recente da revista HSM Management, relata que o Brasil tem excedente de talentos na base da pirâmide, em função de muitas escolas de graduação nos últimos vinte anos. Entretanto, no meio e topo da pirâmide existe uma escassez de 64% de talentos qualificados (comparativamente 40% na China e 16% na Índia).

O que fez gerar tamanha lacuna de talentos qualificados no Brasil? Talvez, seja mais fácil pensar o que está acontecendo no país para não reter os talentos.

O custo de vida nos grandes centros no Brasil é muito alto, quando comparado à qualidade de vida oferecida. A educação de crianças e jovens é cara e com limitada qualidade. Exceto por permanecer próximo aos seus familiares e amigos, o restante não tem sido suficiente para reter as pessoas no país.

Investir em pessoas sempre foi a melhor estratégia para uma empresa, mas ainda há poucas empresas com essa mentalidade. E quando precisam buscar no mercado, deparam com uma situação de raridade, pagando muito mais e tendo o risco da não adaptação à cultura da organização.

Outro fator que traz complexidade ao ambiente de trabalho, como parte da retenção da força de trabalho, é o propósito de pertencer a uma organização. As gerações mais jovens parecem ter mais necessidade de propósito, como atrativo e retenção.

Somado a tudo isso, temos a situação do “pós-pandemia”. A força de trabalho mudou, agora também busca maior qualidade de vida, trabalho remoto ou híbrido. Aprenderam que, não é preciso se deslocar todos os dias, por longas distancias e buscam empresas que queiram oferecer essa condição. O trabalho remoto e reuniões virtuais continuam e as pessoas se adaptaram a esse modelo, inclusive muitas empresas já diminuíram seus espaços físicos de escritório. Essa flexibilidade adquirida tornou o ambiente de trabalho mais complexo, e as equipes precisam aprender a conviver com o ambiente híbrido no dia a dia de trabalho.  Algumas estimativas dizem que 20% das viagens aéreas de negócios não retornarão, o trabalho híbrido veio para ficar.

Portanto, atrair, desenvolver e reter os talentos em uma organização tornou-se mais desafiador do que nunca, em qualquer lugar do planeta. Empresas que melhor se preparam para essa jornada, têm a possibilidade de sair na frente, com menor esforço de contratação e gastos com turnover.

Conselheiros(as): invistam na definição do propósito da organização e orientem o desenvolvimento de recursos humanos. Esse é um investimento que vale a pena!

Cidadãos: estamos, agora, diante de novas eleições em outubro e vejo que é uma oportunidade para refletirmos sobre as propostas dos candidatos para tornar o Brasil um país mais atrativo para desenvolver e reter talentos; e se queremos um futuro melhor para as próximas gerações.

Publicado em: https://pensamentocorporativo.com/pensamentos_corporativos_04_2022_742/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

enptes
Por que mentoria?
30 de março de 2023
CONSELHOS DE ADMINISTRAÇÃO – DILEMAS ENTRE ESTRATÉGIA DE MÉDIO/LONGO PRAZOS E QUALIDADE DA EXECUÇÃO DO MOMENTO
16 de maio de 2023